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FORA DO PADRÃO

Gisele Bundchen, Isabelli Fontana, Ana Hickmann, tops, atrizes esquálidas... O que elas têm a ver com nossa normalíssima vida diária?

Deveria dizer, nada, não fosse a idealização desta estética não convencional pela mídia a ponto de aprisionar nossa percepção coletiva de beleza.

Fomos conduzidos pela obsessão pelo fitness nos anos 80, na década de 90, pela era das tops de salários milionários, Lindas Evangelistas e Naomis, malhação total, personal estylists e trainners. Para na presente década, chegarmos à  coroação de espinhos com a era do “Silicone or bust” (Chic, Glória Kalil), além da moda e malhação, a legitimação do belo passa pelo silicone, botox, preenchimentos, lipos, a sonhada plástica com parcelamento a perder de vista, tem conduzido toda uma geração na direção oposta da beleza real, da auto-aceitação e da auto-estima.

Esta estética que embora não faça parte de nossa vida, aprisionou nossa cultura estabelecendo a ditadura de uma minoria de interesses, na moda e mídia, à deriva do bem estar coletivo.

A Campanha Dove pela Real Beleza questiona o mal estar, do mundo inteiro, resultado deste padrão. Mulheres bonitas e de bem com a vida exibem suas curvas de mulheres reais. Pra lá do manequim 38.

 

Entrevistadas mulheres dos EUA, Canadá, Inglaterra, Itália, França, Portugal, Holanda, Brasil, Argentina e Japão, identificaram-se os componentes dos novos padrões de auto-estima e efeitos da mídia no universo feminino. Coordenada pelas doutoras Nancy Etcoff, Harvard University (EUA), e Susie Orbach, London School of Economics, 75% delas querem que a mídia retrate a beleza com pessoas normais. As mais insatisfeitas com a beleza são as japonesas 59%, e depois as brasileiras 37%, não é à toa que o Brasil é o 3º país em plásticas 9%, perde só para os EUA e o México, Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética (Isaps). Uma nova lei Argentina obriga as lojas a venderem tamanhos normais, de 38 ao 48 em centimetragem padrão, para reverter o quadro de distúrbios alimentares das argentinas que já chega a 10%.

Para incorporação do padrão esquálido correram anos de investimento de mídia que nos subjugaram à estética do“minoritário”, se nos lembrarmos das mulheres mais cobiçadas até o surgimento de Twiggy, anos 60, considerada a primeira top,  Marilyn e Bardot não eram mulheres que  hoje chamaríamos exatamente de magras... Um sistema de valores ligado a segmentos sociais ditam como e o que deverá ser feito no entretenimento, na moda, nos costumes, no convívio social, etc... À margem do circuito, não se vende moda ao mercado internacional, nem tantos cosméticos, nem tantos medicamentos emagrecedores, nem cirurgias plásticas, nem reforçamos a superioridade da cultura e do tipo físico, branco, europeu ou americano sobre a nossa sociedade, e digamos que não é de hoje que a dominação pela sobrepujança cultural leva à extinção dos verdadeiros valores de determinado grupo social... Talvez continuemos os mesmos indígenas colonizados, os mesmos negros tolhidos...

 

Segue a internacionalização às custas da beleza inatingível... O mais espantoso é que apenas 2% das mulheres do mundo todo se consideram bonitas, 98% das mulheres normais decididamente consideram-se fora do padrão. Conclusão, este perfil defendido pelas mídias é que está completamente fora do padrão, e mundial.

O problema não é a valorização das magérrimas, mas a desvalorização de diversos tipos físicos e traços étnicos em detrimento de um modelo que nem é o da maioria. A pesquisadora, também autora do livro “A Lei do Mais Belo” condena o confronto com o 1% “top” do mundo”,para ela, a mídia é responsável pelo aumento da insatisfação das pessoas com seus corpos.

Rompemos com fortes costumes sociais, com o espartilho, que causava deformações no corpo, exposição O Preço da Sedução do Espartilho ao Silicone, Itaúcultural, SP. Beleza é muito mais ampla do que roupa 36. Não à escravidão, para encontrar a Real Beleza, a que se expressa pela segurança de criar suas próprias regras de ser, agir, ter autonomia sobre a própria vida e a própria auto-estima, é simplesmente viver a realidade na beleza do natural e atingível.    www.campanhapelareal.beleza.com.br



Escrito por Fernanda Ayres às 00h29
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