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DE rAsTEiRinhA a cUlt fAshiON

Super celebrados, os 25 anos de vida da marca renderam a exposição Plastic.o.rama Made in Brasil, no Museu de Arte Moderna (MAM) do Rio de Janeiro.Curadoria de Érika Palomino e Giovani Bianchi o projeto multimídia encerrou, em março, o calendário de comemorações da trajetória de sucesso deste ícone brasileiro, internacionalmente reconhecido. Seu histórico, ao contrário de seu perfil tão conceitual e alternativo, é básico, resultado de uma adaptação dos irmãos Grendene, fabricantes de telas plásticas para garrafões, das chamadas Fishermans, sandálias plásticas usadas por pescadores da Riviera Francesa para proteger os pés. Assim nasceu o modelo Aranha, sucesso inabalável no mundo fashion. Não é preciso ter muita afinidade com as rodinhas da moda para saber do que estamos falando... A Melissa a partir de sua capacidade de se reinventar e se vender com "um quê" de fashion, conquistou o mundo, levando comportamento e estilo ao circuito internacional. Por que uma sandália rasteira passa de repente a cult fashion?

No caso da Melissa há muitos fatores, vender atitude, modernidade, criatividade, "Não importa o que se usa muito menos o que se compra, o que conta são as mensagens que transmitimos" trecho do Manifesto Melissa. A sandália também faz o social, representa a democratização do design, e aqui linkando ao tema já discutido pelo sociólogo francês Bourdieu em respeito ao poder representado pelos bens simbólicos e à necessidade das classes mais baixas de acompanhar a que está acima de si, ela possibilita à classe média consumir como a classe alta, à medida que oferece coleções assinadas por ícones da moda e do design, como Alexandre Herchcovitch, Glória Coelho, Karim Rashid, Jude Blame, irmãos Campana, Marcelo Sommer, etc., a preços que se não podemos chamar de populares, podemos definir como acessíveis aos mais simples mortais assalariados, como nós.

Com forte apelo publicitário, e porque não dizer cultural, ela se tornou puro fetiche ou elemento místico da cultura, o produto não é apenas uma mercadoria, mas um agente realizador dos desejos nela projetados, e por este misticismo ultrapassamos então a imagem original da publicidade para entrar no mundo dos mitos e dos arquétipos. Estes, segundo Jung, estruturas psicológicas do inconsciente coletivo, seriam os possíveis alter-egos de todos nós, não representáveis em si mesmos, mas a partir de projeções que fazemos sobre o objeto, que na publicidade e nas artes em geral são utilizados para construção dos personagens, ou digamos, do próprio mito, por ex. arquétipo do herói, do grande pai, ou no caso da Melissa, relacionados ao poder, ao refinamento e ao estilo. Então qual é a fórmula para transformar um simples produto em objeto cultural?

Talvez sua mitificação, a Melissa consegue atingir vários objetivos ao mesmo tempo: por meio da publicidade transformar a antiga sandália dos anos 70 de pouco valor comercial em fetiche fashion de todas as classes, dos pés mais básicos aos mais abastados do Brasil e do mundo, por outro lado, consagra a Melissa como um produto cultural à medida que apresenta não apenas sua sobrevivência no mercado brasileiro após 25 anos, como também triunfo absoluto no exterior como algo genuinamente nacional, o que faz dela uma heroína, num país de baixa auto-estima que carece de referenciais culturais e sociais e porque não aceitá-los ainda que venham de intenções comerciais? O fato é que de cult fashion a sandália já demarcou seu território na indústria cultural, seja pela iniciativa da exposição Plastic.o.rama Made in Brasil, seja através da Galeria Melissa a loja concept na Oscar Freire, onde há invenções de artistas famosos exclusivas para a loja, que pretende ser um espaço cultural e um canal de comunicação, que levem a arquitetura, a arte, o design e a moda a conviver lado a lado, seja no site com o Melissa World Wide na seção Fashion Trends, espaço que traz informações correlacionadas do mundo das artes, sempre sob um aspecto visionário e alternativo, como a exposição do grafiteiro Flip no também alternativo Ampgalaxy em SP, ou sobre o salão do Móvel de Milão e sustentabilidade etc.

Estes espaços para representações alternativas que caracterizam o perfil e claro, comercialmente fortalecem a marca Melissa, se prestam à discussão cada vez maior sobre a reflexão do que representa ditar moda nos dias de hoje e da total influência do mix cultural, fazendo borbulhar a rediscussão do que é arte e talvez do limite ou da viabilidade de integração de artes ou de pretensas áreas artísticas, design, moda, arquitetura, publicidade, fotografia, artes plásticas, artes multimídias, etc... Afinal, produtos culturais também não têm se tornado cada vez mais comerciais?                                                                                                                                                                                        Para a Melissa, a recíproca é verdadeira.     www.melissa.com.br  ou erikapalomino.com.br              



Escrito por Fernanda Ayres às 21h17
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