eat art - fernanda


Ainda mais bacana!

 

Zuzu Angel, estilista reconhecida internacionalmente por seu estilo autêntico nos anos 60, já vestia e inventava moda com a Chita.

E quem mais?

Chacrinha com seu paletó legendário de velho guerreiro.

Moraes Moreira uniu-se à noiva envolta num belo Chitão.

Este tecido de algodão puro, estampado por carimbos em motivos coloridos que aqui se transformou, num escancarado representante da diversidade e da riqueza regional brasileira, de versatilidade que, nesta exposição, também podemos descobrir pela chita européia...

Entre as variações intimistas e generalistas é que nos enredamos pela exposição que Chita Bacana, que vai até o final do mês no Sesc Belenzinho.

Pela enorme maquete acompanhamos o roteiro da chegada da Chita vinda da Índia para o Brasil, durante o processo de colonização. Folclore, História, artesanato, tecnologia, leituras sócio-econômicas, quantos imbricados vamos descobrindo por causa da Chita! E percorremos os espaços como quem se enrola num trançado cultural...Tem teatro Mamulengo, oficinas, literatura de chita: o tecido em citações literárias de autores famosos, cinema com o filme Andanças na Chita, pantógrafos e cilindros, utilizados para obter as estampas.

O que faltou mesmo foi um ambiente que reafirmasse e realçasse a alegria do tema e a vivacidade das cores... O escorregão técnico da ambientação toda em preto enclausurou a alegria do tema, encerrou as cores, limitou o encantamento.

Mas não deixe visitar para conhecer a história da chita, vale a pena! E quando for não perca o espaço com centenas de balões de ar estampados... Maravilhosos! Mas você vai concordar comigo... Muito mais radiante numa montagem clean, em branco, a Chita teria ficado muito mais bacana!

 

Exposição Que Chita Bacana
SESC Belenzinho - Praça e Galpão da Praça
De terça a domingo, das 9h às 18h (até 31 de março)
Ingressos: R$3,00; R$2,00 (usuário matriculado); R$1,50 (trabalhador no comércio e  serviços matriculado/idosos/estudantes)

 

 



Escrito por Fernanda Ayres às 22h29
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La mosaïque

 

O encanto e a graça do mosaico residem tanto na beleza e na criatividade da composição, quanto no fascínio da escolha e do poder de decisão aos quais o artista é submetido.

Em um instante, em suas mãos, concentra-se o poder de criar, com formas que separadas não possuem beleza nem sentido, composições vívidas, voluptuosas, coloridas e alegres, responsáveis pela explosão dos sentidos

daqueles que a observam...

 

 

Assim como em nossas vidas temos o poder de, como na montagem de um mosaico, determinar a forma, a beleza, o sentido e as sensações transmitidas. Somos o que escolhemos ser...

Nós, como artistas, somos os responsáveis pela superação; pela escolha das peças, das decisões e dos passos que façam da composição de nossas vidas, um mosaico autêntico, digno de contemplação e da explosão dos sentidos... 

Imagens do projeto 100 Muros, realizado pela Cidade Escola Aprendiz com 5000 jovens de escolas públicas e privadas, ONGs e alguns jovens da Febem. Todos participaram no processo de criação coletiva que possibilitou a ressignificação do espaço urbano, além de desenvolver sentimentos de identidade e pertencimento com a cidade, através da arte-educação. Utilizando técnicas de mosaico entre outras, em 30 meses, foram feitos 100 diferentes muros com 100 diferentes histórias, espalhados pela cidade de São Paulo.

 



Escrito por Fernanda Ayres às 22h06
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The million Dollar idea!

 

Quais de nós não seríamos capazes de enumerar as vezes que tivemos idéias inéditas e até incrivelmente úteis dignas de revolucionar o nosso dia a dia ou de pelo menos de exercitar a criatividade contra o comodismo neste mundo pronto, em que todas as boas idéias parecem já ter sido executadas?

A diferença entre a morte ou o sucesso de uma boa idéia, é que o segundo, sempre conta com um empreendedor, um visionário capaz de se arriscar até sua materialização triunfal.

E que o diga Alex Tew, um estudante inglês, mentor do site www.milliondollarhomepage.com, que foi pensado para render-lhe um milhão de dólares pela venda de espaços publicitários, em formato inédito: por blocos de pixels, ou pontos mínimos que aglomerados possibilitam a  visualização através da tela do computador.

O objetivo do estudante era juntar dinheiro para a faculdade de gerenciamento de negócios para a qual entrou um mês depois da criação do site. Com um limite mínino de cem pixels para a compra, a estratégia era vender a página inteira, ou, todos os um milhão de pixels, a 1 dólar cada, alcançando 1 milhão de dólares!

Mesmo sem acreditar muito, arriscando-se pela idéia, começou pela venda aos amigos e pessoas da família e depois enviando e-mails para a imprensa divulgou o site, que atraiu aos mais diversos anunciantes, desde grandes e conceituadas empresas, a pessoas comuns. E finalmente, no início deste ano, na semana de 13 de janeiro Tew tornou-se um jovem milionário.” Não achei que daria certo” diz.

Atingido o objetivo, a página agora completa, segundo Tew, fica on-line durante cinco anos, o clique remete diretamente às páginas das empresas.

Mais do que a inovadora oportunidade de negócio, repensando também a atual sub-utilização da internet, pode-se considerar que os mini-anúncios que formam um grande e colorido cartaz digital, ainda contribuem como um deleite estético alternativo e uma exceção criativa à atual homogeneização da publicidade na mídia on-line.

Da próxima vez que você se perguntar como ninguém pensou nisto antes, não se subestime, neste exato momento pode estar nascendo sua “The million Dollar idea!“

Escrito por Fernanda Ayres às 00h42
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Tradicional e o excêntrico: um namoro gastronômico bem sucedido

 

À ruazinha Conde Silvio Álvares Penteado no bairro de Pinheiros, em São Paulo, quase se esconde no coração da zona sul, a pequena, mas aconchegante “pizzeria” I Vitelloni, com muito do charme de cantina italiana, aliado a um toque excêntrico, das pizzas às sobremesas.

Dentre as opções criativas, as “Criações do Mellão” oferecerem de pizza Ementhal; mussarela, queijo ementhal suiço e estragão à 4 Funghi; mussarela, cogumelos, shimeji, shitake, champignon e funghi seco.

A casa surpreende ainda mais quando experimentamos os sorvetes I Vitelloni, sabores?

Especialíssimos. Manjericão, hortelã, camomila, rosas, erva cidreira, canela, cupuaçu e mel.

E o melhor, pode-se optar por um prato com uma bola de cada sabor, todos os que estão à mesa terão a sensação única de experimentar, para sorvetes, sabores tão inesperados...

Desde sua inauguração em 89, a pizzaria, já recebeu por 2 anos consecutivos, da Veja São Paulo, o título de melhor pizza da cidade,  e tem sido eleita pelo Guia 4 Rodas como a melhor pizzaria do Brasil.

No I Vitelloni, o flerte gastronômico entre o tradicional e o excêntrico, aliados ao charme e  aconchego da decoração envelhecida e ao atendimento amigável, quase caseiro, resultou num romance muito gostoso...Ainda mais para ser curtido a dois...!

 

I Vitelloni. Rua Conde Silvio Álvares Penteado, 31 Pinheiros SP. De terça a quinta das 18 às 23 horas e de sexta a domingo das 18 às 24 horas. Tel. 11 3819-0735

 

Escrito por Fernanda Ayres às 23h19
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Neste recomeço...

Começo a amadurecer a idéia de registrar o ainda tímido lastro cultural que penso estar construindo... Mais como registros, que provocam o esforço e o treino  de olhar para dentro, descobrir quem realmente sou na escrita, ao me libertar do peso das ditatoriais composições de redação que se sedimentaram sobre mim ao longo da vida...

Não desejo tanto a segurança e a sobriedade, mas o risco do vôo que assegura do alto as visões mais privilegiadas e deslumbrantes do mundo que está abaixo...

O escrever livremente não é fácil, pois tudo o que privilegiamos, desde o tema, o foco do olhar até o agrupamento de idéias de alguma forma dá pistas do que somos. Ou do que queremos ser na escrita... Como já denunciado por Fernando Pessoa ao escrever que “o poeta é um fingidor. Finge tão completamente. Que chega a fingir que é dor. A dor que deveras sente.”...

Este blog me ensinou a observar o mundo de outra maneira, tudo agora é passível de um olhar reflexivo, de análise intertextual, e assim vou me aconchegando em minha colcha de retalhos do texto cultural, anunciada por Proust.

Pela união de pequenas partículas de pensamentos, no esforço de expressar o indizível, retendo palavras que transpareçam a magia de um momento por idéias que se ligam aos sentimentos, que se aglomeram no papel, que figuram nossa pequena ilusão, um feixe tímido de esperança de doar ao mundo a luz de nossos pensamentos. 

 

E no desejo de me esquivar do traço carregado, lembro-me com especial admiração de Ítalo Calvino no livro ”Seis propostas para o novo milênio”. Em que se questionava ele, sobre como, subtrair o peso de sua escrita, de modo que suas características mais marcantes e graciosas fossem a leveza, a rapidez, exatidão, visibilidade, a multiplicidade e a precisão... Penso então, como alcançar o mesmo resultado nas mídias digitais, ainda mais versáteis e leves?  Ìtalo Calvino faleceu antes que pudesse concluir a sexta proposta anunciada no título.

Não a conheceremos, assim como não conhecemos todo o longo percurso pelo qual nos conduzirá a escrita... E neste caminho sem volta, não há atalhos, a escrita é um esforço continuo, lento e doloroso, um processo de reescritas, como o escolhido pelo escritor francês, Gustave Flaubert, com seu Madame Bovary, que obcecado pela busca da palavra perfeita, dedicou toda sua vida ao aperfeiçoamento de sua arte...

A sexta proposta não apresentada por Calvino constitui-se quase uma ironia que precede a metalinguística da beleza e da perfeição que tanto desejamos, mas que não sabemos se um dia alcançaremos... Nossas escolhas e dedicação serão os responsáveis por nos conduzir à realização.... Ou a uma obra inacabada.



Escrito por Fernanda Ayres às 06h49
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Em vôos de perdição

Vagando pelas noites escuras, cercado pela profunda e misteriosa mata, iluminado apenas pela colcha de estrelas, sob o céu negro e sombrio, ainda se pode ver este animal cruzar o céu, solitária e fastidiosamente...

Conta-se, que já foi dos animais mais vivos da mata, até cavar seu próprio destino de solidão, que o encerra no isolamento e num desgosto sem fim.

Isolado dos homens, recorda-se do tempo em que fruía a perfeita integração...Podia vê-los de perto, viver com eles, ser-lhes próximo como animal de estimação. Que de tanta estimação passou a querer ser gente. Queria ser a mulher. Passou desejar a cada momento, com maior intensidade, seu corpo, suas emoções, sua elevação de mente e espírito.

A superioridade da mulher perturbava-lhe crescentemente as intenções. Passou instintivamente a buscar um momento em que pudesse destruí-la. Mas não havia como fazê-lo, seu físico, reforçava-lhe sua condição de inferioridade, e rastejava, e rastejava novamente. Quis então rebaixá-la a sua condição. Experimentaria ela, igualmente a humilhação e vertiginosa dor daqueles que libertam seus mais subterrâneos instintos, sucumbindo às vozes sedutoras da vida e do destino.

“Se eu tivesse asas, conseguiria ao menos alcançá-la em estatura para lhe falar.”

Mais do que depressa correu. Espreitou uma coruja. Atacou-a. Comeu. E esperou. Trocou de pele.Nasceram-lhe asas de coruja, a crescente aversão pela luz e a propensão para langorosamente serpentear a escuridão do céu.

Ao pé do ouvido da mulher voou, murmurou-lhe, despertou-lhe desejos encobertos, seduziu-a.

Sua desejada elevação da mente e do espírito entrega-se aos instintos carnais, às emoções. Ela sucumbiu. Tombou. Odiou por toda vida a serpente. Baniu-a do convívio humano...

Ainda hoje, a sombria serpente vagueia tediosamente lânguida e errante, prenunciando a libertação dos anseios obscuros, denunciando, a cada vôo em asas de perdição, o que há de pior nos instintos, aquilo que iguala bichos e homens.

Escrito por Fernanda Ayres às 00h11
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WWW. Arteeletrônica...

Ponto com ponto br. A idéia durante muito tempo soou estranha, ou irrealizável para muitos, lembra-se do famoso desenho a família Jetsons, clã futurista, cujas engenhocas já prenunciavam algumas das maravilhas high-tech do século XXI, como a (ex) utópica telecomunicação visual, que mostrava os interlocutores em tempo real, ao vivo e a cores, hoje possível com as Web Cams. A tecnologia e a arte romperam a ficção para se tornar a mais pura ou talvez a mais relativa verdade virtual.

Se atualmente, discutem-se questões cismáticas sobre o futuro da grande rede, e da função reflexiva da arte, nesta relativamente nova mídia, tais como sua capacidade inexplorada, inversão e re-significação do conceito autoria, compartilhamento, interação, valor para o usuário, e mesmo aperfeiçoamento, só para citar algumas delas; seu o nascimento, por sua vez, se comparado ao estágio evolutivo atual, parece incipiente, se desconsiderarmos que ele é o fruto de muitos anos de pesquisa e desenvolvimento, que ainda perseguem a maturação. 

 

 Os primeiros trabalhos artísticos, em computadores, ainda nas máquinas analógicas, foram desenvolvidos por volta de 1952, com americanos, mas foi mesmo a partir de 1962, com os alemães, que a “computer art” adentrou a era em que os trabalhos artísticos eletrônicos, puderam ser inteiramente produzidos em  computadores digitais.

Progresso totalmente ampliado nos anos 60 e 70, sobretudo por europeus e norte americanos, devido à sobrepujança tecnológica destes continentes, com muito orgulho, foi mesmo pelo trabalho de um artista brasileiro, Waldemar Cordeiro, por sua contextualização social às imagens, em parceria com um físico italiano, Giorgio Moscati, que a arte eletrônica experimentou a dimensão crítica.

A net ou web art entendida como fusão da arte-comunicação com a arte digital, acaba estendendo a idéia de comunicação e circulação da arte à rede digital polemizando e reivindicando o uso da Internet como profusora de cultura a partir de reflexão e de consciência crítica.

Se há alguns anos seria impensável a visita a um museu virtual, hoje ao digitar a expressão web arte ou arte eletrônica num site de busca como o Google por ex. é possível conferir não apenas as diversas opções de artistas e obras, como muitas informações sobre o seu processo de evolução, desde o início de sua quase recente descoberta.

 

A consulta a estes sites nos traz o contato com este mundo virtual fora do circuito Internet a que estamos submetidos e nos ajuda a perceber algumas das estruturas diferenciadas de interação na internet; também nos empurra para a dimensão sensorial de todo, a uma realidade de rede de interconexões, lembrando-nos que utilizamos nosso computador individualmente, mas, sempre ao mesmo tempo e no mesmo espaço que milhões de pessoas, ou seja, que a navegação é uma experiência coletiva, da qual a unicidade que hoje nos é apresentada como única possibilidade, decididamente não faz parte.

A sensação de se perder neste ambiente completamente diferente da internet convencional?

Você só vai saber quando acessar...

 

www.potatoland.org/riot   www.influenza.etc.br   www.desvirtual.com

Leia mais sobre o assunto: www.file.org.br   http://www.itaucultural.org.br/index.cfm?cd_pagina=2006

 



Escrito por Fernanda Ayres às 01h12
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Falem bem ou falem mal, continuam falando dele e muuuito!!!

Marriage, verbindung, unión, mariage, unione, 結婚, achei até em chinês, (um bom tradutor web faz maravilhas!) ou em bom português, casamento, casamento, casamento!

Fiquei tão impressionada com a quantidade de comunidades relacionadas no Orkut, que achei válido ressaltar este traço cultural de nossa sociedade, apesar da máxima contemporânea, ninguém é de ninguém, homens e mulheres, eternamente instáveis sentimentais, transitam voluvelmente do desejo de liberdade irrestrita à necessidade de cultivar a relação afetiva intensa inabalável e estável... O que resulta numa relação completamente ambígua com o casamento, oscilando entre amor e ódio, desejo de pertencer, e medo de se entregar...

A união conjugal com culto e cerimonial nasceu na Antiga Roma, representando a união de direito, a monogamia e a liberdade da noiva de se casar espontaneamente e com direitos perante a lei. Já a tradição de se vestir de branco só começou com a Rainha Vitória da Inglaterra, que além de usar branco, quando a cor nupcial era o vermelho, também burlou, usando um véu, a interdição da realeza de se apresentar coberta em cerimoniais públicos. Pronto! A herança do branco e do véu perdura, firme à prova das críticas...

Apesar do tempo e das transformações sociais, a tradição do matrimônio continua viva. Muitos assemelham um casamento bem sucedido a uma loteria, e mesmo assim continuam apostando e muito! No ano de 2003 tivemos 651.238 casamentos formais (IBGE), encontrei num guia de casamento on line que só no Brasil em 2005, já foram realizados 841.058 nada mal, o número de apostadores é bem alto para probabilidades de acerto ditas tão baixas não é?

Muita gente paga prá ver, e se ainda se arriscam, é porque acreditam que o bilhete premiado existe e que podem encontrá-lo!

Prova clara disto, são as 711 comunidades afins registradas no espaço que determinou o boom das redes sociais na web e do qual, nós brasileiros acabamos sendo, quantitativamente, os usuários mais numerosos...E aí acabamos reproduzindo no ambiente virtual, um reflexo de nossas expectativas, anseios e conflitos internos e sociais mais latentes...

Este mundo novo nos mostra que é bem possível ter idéia do que ainda é importante e dos muitos temas que persistem no virtual como um espelho da realidade...Caso do casamento.

Claro que cada comunidade expressa opiniões livremente, sendo extremamente contrárias ou favoráveis, meio termo ou simplesmente indecisas...Mas o relevante é que em pleno séc XXI, o assunto continue tão atual que tenha encontrado um espaço virtual para continuar controverso. E não adianta, por mais que neguem de pé juntos, ele continua importante, imbatível e provocador...

Já alta madrugada, considerando o enorme tempo que levaria para eu chegar ao final da investigação de todas as comunidades atreladas a palavra casamento, parei no registro 340, rindo muito da comunidade abaixo, muito engraçada e muito pertinente à questão do matrimônio... “Já entrei num casamento errado. ESTA COMUNIDADE EH PARA AQUELES QUE TINHAM A PLENA CERTEZA DE ESTA NO CASAMENTO CERTO E QUANDO VIRAM A NOIVA ENTRAR, SE DERAM CONTA QUE ESTAVAM NO CASAMENTO ERRADO!! (QUE MICO)” Tinha 15 membros.

Claro que não foi planejado, mas o nome da comunidade por acaso gerou uma irônica ambigüidade...Quase uma crônica... Se estabelecermos uma ligação com a união conjugal que termina, na qual ambos os cônjuges pensam se dar conta de que, como nesta comunidade, entraram no casamento errado...E neste caso não há nada de engraçado, muito pelo contrário, restam desgaste e frustração pelos sonhos interrompidos...

Tive um chefe que já tinha se casado 7 vezes e que estava solteiro de novo. Nem sob a influência do número 7, considerado o número da perfeição bíblica ele conseguiu acertar...

Mas no fundo mesmo, o que todos querem é ser felizes para sempre. A união conjugal não precisa ser um jogo de azar. Uma vez li que um bom casamento se faz de dois bons perdoadores...

Enfim! Probabilisticamente, apenas quem participa deste jogo tem chances de ganhar o prêmio. Eu já ganhei o meu. Aposte!

Um prêmio acumulado compensa riscos e ressarce o desgaste... Se ele é tão comentado é porque muito ele tem de bom!

Com certeza não é à toa que continuam falando dele e muuuito!!!



Escrito por Fernanda Ayres às 02h39
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Além da moda ou aquém da arte?

A mulher de cabelos compridos, penteia-se, arruma-se, maquia-se, prende, solta, desarruma, tira a maquiagem, corta, mais curto, até que raspa e com uma peruca pronto, já está prestes a recomeçar no cerco das pressões sociais. Por Cris Bierrembach o vídeo Identidade representa a angústia existencial, o eterno conflito entre a essência e a aparência, entre o que se é e o que se deseja ser... A obra reflete a moda no limiar de suas potencialidades críticas apagando a tênue linha de separação da arte...

Ricardo Oliveros, produtor, editor e curador diz que a moda inserida no contexto cultural deve ser entendida como um sistema que afirma o seu tempo, respondendo às velozes mudanças do mundo midiático e tecnologizado, com precisão maior e em menor tempo do que as outras linguagens poderiam executar, seja a literatura, fotografia pintura etc.

E justamente entendida como sistema, passa a ter uma nova função, a de aprofundar o olhar, de levar seu público além, de gerar reflexão como arte, não mais por sua função usual, mas enquanto objeto e expressão artística.

 

Conflitos e caminhos, exposição de moda que insere o Sesc no circuito da moda como arte, levou-me a refletir com critérios mais apurados sobre o deslocamento destas funções artísticas... Sete duplas de estilistas com estilos distintos têm que criar cada uma, um look, apenas um modelo a ser exibido na exposição, o processo todo é gravado por um videomaker, sempre super talentoso e apaixonado, como Daniel Lima ou Luiz Duva... Suas edições são o verdadeiro êxtase criativo em cena.

A proposta, curadoria de Jum Nakao e Kiko Araújo, era simbolicamente a representação da diversidade cultural dos países mediterrâneos, e deste ponto, tecer a possibilidade de diálogos, de apaziguar conflitos, gerar caminhos... E, além, traçar um paralelo entre a diversidade brasileira e a mediterrânea.

Da idealização a proposta desafiadora, enfraqueceu-se no caminho da realização...

 

As gravações do processo de criação o qual deveria trazer a embasamento crítico ou consciência artística do projeto, denuncia o desencontro latente de objetivos, a criação da obra, não dialoga com a proposta dos curadores, conformando-se a estilistas que se restringiram à criação de um modelo de roupa passível de aceitação mútua.

Em denso contraponto, a exposição Viés, “Moda e arte um cruzamento possível de linguagens” realizada este ano na Galeria Vermelho, reuniu diversos artistas como Rafael Assef, Nicolás Robbio, Maurício Ianes, Marilá Dardot a estilistas e mostrou despretensiosamente, que estilistas podem chegar a criações artísticas quando deslocam sua criação do lugar comum para o campo da arte.

Estes são os fios condutores que bem entrelaçados podem resultar na trama perfeita entre a arte e a moda.

E disto já temos exemplo desde a “Experiência nº 3”, ou o New look - traje para o homem dos trópicos de Flávio de Carvalho, dos Parangolés, de Hélio Oiticica que criava uma nova visão de como o ser humano e a arte podem compor uma obra ao integrar-se,  da obra singular de Lygia Clark e ainda hoje dos estilistas que fazem de seu desfile, uma verdadeira instalação, como Karlla Giroto que com sensibilidade estética e crítica, supera a dinâmica das massas, num protesto planejado e na resistência pelo estranhamento... 

 

A dessacralização da arte vale a pena desde que nela haja implícita a reflexão, uma leitura crítica e diferenciada no processo criativo... Como quem extrapola o comum e o gosto das massas para se aventurar e se libertar pela desconexão e pelo rompimento dos códigos...

http://mixbrasil.uol.com.br/cultura/panorama/vies/vies.asp e http://chic.ig.com.br/site/secao.php?secao_id=2&materia_id=2731



Escrito por Fernanda Ayres às 01h22
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FORA DO PADRÃO

Gisele Bundchen, Isabelli Fontana, Ana Hickmann, tops, atrizes esquálidas... O que elas têm a ver com nossa normalíssima vida diária?

Deveria dizer, nada, não fosse a idealização desta estética não convencional pela mídia a ponto de aprisionar nossa percepção coletiva de beleza.

Fomos conduzidos pela obsessão pelo fitness nos anos 80, na década de 90, pela era das tops de salários milionários, Lindas Evangelistas e Naomis, malhação total, personal estylists e trainners. Para na presente década, chegarmos à  coroação de espinhos com a era do “Silicone or bust” (Chic, Glória Kalil), além da moda e malhação, a legitimação do belo passa pelo silicone, botox, preenchimentos, lipos, a sonhada plástica com parcelamento a perder de vista, tem conduzido toda uma geração na direção oposta da beleza real, da auto-aceitação e da auto-estima.

Esta estética que embora não faça parte de nossa vida, aprisionou nossa cultura estabelecendo a ditadura de uma minoria de interesses, na moda e mídia, à deriva do bem estar coletivo.

A Campanha Dove pela Real Beleza questiona o mal estar, do mundo inteiro, resultado deste padrão. Mulheres bonitas e de bem com a vida exibem suas curvas de mulheres reais. Pra lá do manequim 38.

 

Entrevistadas mulheres dos EUA, Canadá, Inglaterra, Itália, França, Portugal, Holanda, Brasil, Argentina e Japão, identificaram-se os componentes dos novos padrões de auto-estima e efeitos da mídia no universo feminino. Coordenada pelas doutoras Nancy Etcoff, Harvard University (EUA), e Susie Orbach, London School of Economics, 75% delas querem que a mídia retrate a beleza com pessoas normais. As mais insatisfeitas com a beleza são as japonesas 59%, e depois as brasileiras 37%, não é à toa que o Brasil é o 3º país em plásticas 9%, perde só para os EUA e o México, Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética (Isaps). Uma nova lei Argentina obriga as lojas a venderem tamanhos normais, de 38 ao 48 em centimetragem padrão, para reverter o quadro de distúrbios alimentares das argentinas que já chega a 10%.

Para incorporação do padrão esquálido correram anos de investimento de mídia que nos subjugaram à estética do“minoritário”, se nos lembrarmos das mulheres mais cobiçadas até o surgimento de Twiggy, anos 60, considerada a primeira top,  Marilyn e Bardot não eram mulheres que  hoje chamaríamos exatamente de magras... Um sistema de valores ligado a segmentos sociais ditam como e o que deverá ser feito no entretenimento, na moda, nos costumes, no convívio social, etc... À margem do circuito, não se vende moda ao mercado internacional, nem tantos cosméticos, nem tantos medicamentos emagrecedores, nem cirurgias plásticas, nem reforçamos a superioridade da cultura e do tipo físico, branco, europeu ou americano sobre a nossa sociedade, e digamos que não é de hoje que a dominação pela sobrepujança cultural leva à extinção dos verdadeiros valores de determinado grupo social... Talvez continuemos os mesmos indígenas colonizados, os mesmos negros tolhidos...

 

Segue a internacionalização às custas da beleza inatingível... O mais espantoso é que apenas 2% das mulheres do mundo todo se consideram bonitas, 98% das mulheres normais decididamente consideram-se fora do padrão. Conclusão, este perfil defendido pelas mídias é que está completamente fora do padrão, e mundial.

O problema não é a valorização das magérrimas, mas a desvalorização de diversos tipos físicos e traços étnicos em detrimento de um modelo que nem é o da maioria. A pesquisadora, também autora do livro “A Lei do Mais Belo” condena o confronto com o 1% “top” do mundo”,para ela, a mídia é responsável pelo aumento da insatisfação das pessoas com seus corpos.

Rompemos com fortes costumes sociais, com o espartilho, que causava deformações no corpo, exposição O Preço da Sedução do Espartilho ao Silicone, Itaúcultural, SP. Beleza é muito mais ampla do que roupa 36. Não à escravidão, para encontrar a Real Beleza, a que se expressa pela segurança de criar suas próprias regras de ser, agir, ter autonomia sobre a própria vida e a própria auto-estima, é simplesmente viver a realidade na beleza do natural e atingível.    www.campanhapelareal.beleza.com.br



Escrito por Fernanda Ayres às 00h29
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DE rAsTEiRinhA a cUlt fAshiON

Super celebrados, os 25 anos de vida da marca renderam a exposição Plastic.o.rama Made in Brasil, no Museu de Arte Moderna (MAM) do Rio de Janeiro.Curadoria de Érika Palomino e Giovani Bianchi o projeto multimídia encerrou, em março, o calendário de comemorações da trajetória de sucesso deste ícone brasileiro, internacionalmente reconhecido. Seu histórico, ao contrário de seu perfil tão conceitual e alternativo, é básico, resultado de uma adaptação dos irmãos Grendene, fabricantes de telas plásticas para garrafões, das chamadas Fishermans, sandálias plásticas usadas por pescadores da Riviera Francesa para proteger os pés. Assim nasceu o modelo Aranha, sucesso inabalável no mundo fashion. Não é preciso ter muita afinidade com as rodinhas da moda para saber do que estamos falando... A Melissa a partir de sua capacidade de se reinventar e se vender com "um quê" de fashion, conquistou o mundo, levando comportamento e estilo ao circuito internacional. Por que uma sandália rasteira passa de repente a cult fashion?

No caso da Melissa há muitos fatores, vender atitude, modernidade, criatividade, "Não importa o que se usa muito menos o que se compra, o que conta são as mensagens que transmitimos" trecho do Manifesto Melissa. A sandália também faz o social, representa a democratização do design, e aqui linkando ao tema já discutido pelo sociólogo francês Bourdieu em respeito ao poder representado pelos bens simbólicos e à necessidade das classes mais baixas de acompanhar a que está acima de si, ela possibilita à classe média consumir como a classe alta, à medida que oferece coleções assinadas por ícones da moda e do design, como Alexandre Herchcovitch, Glória Coelho, Karim Rashid, Jude Blame, irmãos Campana, Marcelo Sommer, etc., a preços que se não podemos chamar de populares, podemos definir como acessíveis aos mais simples mortais assalariados, como nós.

Com forte apelo publicitário, e porque não dizer cultural, ela se tornou puro fetiche ou elemento místico da cultura, o produto não é apenas uma mercadoria, mas um agente realizador dos desejos nela projetados, e por este misticismo ultrapassamos então a imagem original da publicidade para entrar no mundo dos mitos e dos arquétipos. Estes, segundo Jung, estruturas psicológicas do inconsciente coletivo, seriam os possíveis alter-egos de todos nós, não representáveis em si mesmos, mas a partir de projeções que fazemos sobre o objeto, que na publicidade e nas artes em geral são utilizados para construção dos personagens, ou digamos, do próprio mito, por ex. arquétipo do herói, do grande pai, ou no caso da Melissa, relacionados ao poder, ao refinamento e ao estilo. Então qual é a fórmula para transformar um simples produto em objeto cultural?

Talvez sua mitificação, a Melissa consegue atingir vários objetivos ao mesmo tempo: por meio da publicidade transformar a antiga sandália dos anos 70 de pouco valor comercial em fetiche fashion de todas as classes, dos pés mais básicos aos mais abastados do Brasil e do mundo, por outro lado, consagra a Melissa como um produto cultural à medida que apresenta não apenas sua sobrevivência no mercado brasileiro após 25 anos, como também triunfo absoluto no exterior como algo genuinamente nacional, o que faz dela uma heroína, num país de baixa auto-estima que carece de referenciais culturais e sociais e porque não aceitá-los ainda que venham de intenções comerciais? O fato é que de cult fashion a sandália já demarcou seu território na indústria cultural, seja pela iniciativa da exposição Plastic.o.rama Made in Brasil, seja através da Galeria Melissa a loja concept na Oscar Freire, onde há invenções de artistas famosos exclusivas para a loja, que pretende ser um espaço cultural e um canal de comunicação, que levem a arquitetura, a arte, o design e a moda a conviver lado a lado, seja no site com o Melissa World Wide na seção Fashion Trends, espaço que traz informações correlacionadas do mundo das artes, sempre sob um aspecto visionário e alternativo, como a exposição do grafiteiro Flip no também alternativo Ampgalaxy em SP, ou sobre o salão do Móvel de Milão e sustentabilidade etc.

Estes espaços para representações alternativas que caracterizam o perfil e claro, comercialmente fortalecem a marca Melissa, se prestam à discussão cada vez maior sobre a reflexão do que representa ditar moda nos dias de hoje e da total influência do mix cultural, fazendo borbulhar a rediscussão do que é arte e talvez do limite ou da viabilidade de integração de artes ou de pretensas áreas artísticas, design, moda, arquitetura, publicidade, fotografia, artes plásticas, artes multimídias, etc... Afinal, produtos culturais também não têm se tornado cada vez mais comerciais?                                                                                                                                                                                        Para a Melissa, a recíproca é verdadeira.     www.melissa.com.br  ou erikapalomino.com.br              



Escrito por Fernanda Ayres às 21h17
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